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Pesquisas nucleares da USP são transferidas para Belo Horizonte

Incêndio em painel de controle do reator IEA-R1 impede operações e força deslocamento de experimentos para Minas Gerais

18/04/2026 às 10:37
Por: Redação

Experimentos que demandam irradiação de amostras, originalmente realizados no reator nuclear de pesquisa IEA-R1 do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), vinculado à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e à USP, serão temporariamente deslocados. A transferência ocorrerá para o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), uma unidade da CNEN localizada em Belo Horizonte, Minas Gerais, visto que não há previsão para a conclusão dos reparos no painel de controle do equipamento de São Paulo.

 

O reator IEA-R1, peça-chave para diversas pesquisas, está inoperante desde o segundo semestre de 2025, aguardando tanto ajustes técnicos quanto a necessária autorização para retomar suas operações. A situação se agravou em 23 de março, quando um incêndio atingiu parte da fiação do painel de controle da instalação. A equipe de segurança do Ipen agiu rapidamente, com o apoio do Corpo de Bombeiros, e conseguiu controlar o incidente em um curto período, assegurando que a segurança da instalação não fosse comprometida.

 

Atualmente, o Ipen/CNEN está conduzindo uma investigação aprofundada para determinar as causas exatas do incêndio e, simultaneamente, trabalha na reposição dos componentes elétricos danificados na sala de controle do reator.

 

Medidas para a continuidade das pesquisas

 

Em um esforço para garantir que os trabalhos acadêmicos e científicos não sejam interrompidos, a gerência do Centro dos Reatores de Pesquisa do Ipen elaborou um conjunto de medidas alternativas. Essas ações visam assegurar a continuidade das pesquisas de alunos e cientistas tanto da Universidade de São Paulo quanto de instituições parceiras.

 

Entre as soluções propostas, o Ipen informou, por meio de nota, a mobilização do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear, que é uma unidade técnico-científica da CNEN, na capital mineira. Para viabilizar a realização dos estudos que requerem irradiação de amostras, o reator IPR-1, pertencente ao CDTN, foi disponibilizado.

 

O instituto também destacou que a logística para o envio e retorno dos materiais de pesquisa está sendo cuidadosamente planejada. Um comunicado do Ipen ressaltou o empenho em minimizar os impactos:

 

Está sendo estudada criteriosamente para proporcionar que os avanços das pesquisas sigam e que haja o menor impacto possível aos alunos e pesquisadores.

Adicionalmente, o Ipen afirmou que planeja implementar ações contínuas para a modernização e atualização do reator de pesquisas. Este reator é reconhecido como o de maior potência em operação no território nacional. A instituição sublinhou a importância dessas ações, especialmente considerando que o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), que será construído em Iperó (SP), tem sua conclusão projetada apenas para o ano de 2032.

 

Contudo, o Ipen não se manifestou publicamente a respeito da produção de radiofármacos, uma operação que também era realizada pela unidade de São Paulo e que é de grande importância para a área da saúde.

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