Durante sua passagem por Camarões, nesta quinta-feira (16), o papa Leão XIV realizou críticas contundentes aos governantes mundiais que destinam vultuosos recursos financeiros a conflitos armados. O líder religioso afirmou que a humanidade está "sendo devastada por alguns tiranos". As observações do pontífice foram apresentadas logo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atacá-lo novamente por meio de suas redes sociais.
No decorrer do encontro na principal cidade das regiões de língua inglesa de Camarões, onde existe um conflito que perdura há quase uma década e resultou em milhares de vítimas fatais, Leão XIV destacou sua posição como o primeiro papa norte-americano e condenou de maneira veemente os líderes que recorrem à linguagem religiosa para fundamentar ações bélicas. O pontífice demandou uma "mudança decisiva de rumo" das lideranças mundiais.
"Os mestres da guerra fingem não saber que é preciso apenas um momento para destruir, mas muitas vezes uma vida inteira não é suficiente para reconstruir", declarou Leão XIV.
O papa ressaltou que enormes valores financeiros são canalizados para ações de destruição e morte, enquanto os recursos essenciais para cura, restauração e educação permanecem em falta. Ele afirmou que líderes globais negligenciam deliberadamente essa realidade ao priorizarem gastos militares em detrimento de investimentos em áreas fundamentais ao desenvolvimento humano.
As manifestações de Donald Trump contra o papa Leão XIV tiveram início na véspera de uma turnê do pontífice por quatro países africanos. Na terça-feira (14), as críticas foram reiteradas, gerando forte reação no continente africano, onde está mais de um quinto da população católica mundial. Trump havia classificado o papa como "fraco sobre crime e péssimo para a política externa" em publicação no Truth Social, no domingo (12). O presidente dos Estados Unidos voltou a atacá-lo nas redes sociais também na terça e quarta-feira, chegando a postar uma imagem de Jesus o abraçando, após outra ilustração semelhante provocar polêmica.
Leão XIV, que durante grande parte do seu primeiro ano de pontificado manteve uma postura discreta à frente da Igreja, atualmente composta por 1,4 bilhão de fiéis, tornou-se um crítico incisivo dos confrontos militares deflagrados após os ataques promovidos por Israel e Estados Unidos contra o Irã.
No pronunciamento em Camarões, o pontífice reiterou sua condenação aos líderes mundiais que recorrem ao discurso religioso para legitimar guerras.
"Ai daqueles que manipulam a religião e o próprio nome de Deus para seu próprio ganho militar, econômico e político, arrastando o que é sagrado para a escuridão e a sujeira", afirmou Leão XIV.
De acordo com o papa, vivencia-se atualmente um cenário de inversão de valores, em que a obra da criação divina é explorada de modo a exigir denúncia e rejeição de toda consciência honesta.
Em declarações anteriores, Leão XIV já havia afirmado que Deus rejeita as preces de líderes cujas "mãos estão cheias de sangue". Na ocasião, tais posicionamentos foram amplamente interpretados como uma resposta ao secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, que havia recorrido a uma linguagem cristã para sustentar a guerra contra o Irã.
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